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09 de Novembro de 2008

n n n gabcom universidade de évora O Reitor da Universidade de Évora, Prof. Jorge Araújo, torna pública a Carta Aberta aos Estudantes da UE Caros estudantes, O culto pelas tradições é próprio das organizações humanas e consubstancia, no essencial, uma dinâmica identitária e de transmissão de valores. Nas universidades mais antigas, fazem parte da tradição, as praxes, as quais são rituais iniciáticos mais ou menos assumidos. Ao longo dos 450 anos da história da Universidade de Évora, muitas praxes se perderam na bruma dos tempos, como a "tomada da pedra" (século XVI) em que o estudante doutorado se sentava no chão, em cima de uma pedra, fazendo prova de paciência e de modéstia enquanto os "tentadores" o invectivavam com opróbrios e desprezos. Outras alteraram-se e adaptaram-se às circunstâncias; outras ainda foram sendo adicionadas. As praxes foram, em todos os tempos, rituais iniciáticos aos quais, em geral, se associava um vexame - vexatio - que encerrava o duplo rito de humilhação e de inversão de estatuto, e tinha a ver sobretudo com a integração do neófito no colégio dos doutores. Hoje, esse princípio conserva-se nas praxes de integração dos alunos no ensino superior, os "bichos" e assinala a transição para o estatuto de "caloiro" ou, de forma mais genérica, para a vida adulta. Na Universidade de Évora, a tradição que me cumpre perpetuar é, acima de tudo, o respeito pelos valores do humanismo; que enquadram o respeito pela pessoa, isto é, pelos seus direitos fundamentais, individual e colectivamente considerados, pelos seus valores e, também, pelo seu equilíbrio psíquico e saúde física. Consequentemente, será no cruzamento das duas tradições, do respeito pelos direitos humanos, por um lado e, por outro, do "vexame" iniciático, que terá de ser encontrado o equilíbrio "justo" de comportamentos que interdite qualquer travessura que fira a dignidade ou atente contra a saúde ou o bem-estar de alguém ou ainda, que prejudique o bom nome da Universidade, o funcionamento das aulas e o rendimento escolar. Desde há vários anos, tenho vindo a exortar o Conselho de Notáveis a exercer um magistério de influência, moderador em todas as sequências de actos que compõem as praxes, de cuja tradição eles são garantes. Todos os anos, contudo, se assiste a uma deriva para níveis comportamentais inadmissíveis, de alguns, quer pela violência psicológica que lhes é inerente, quer pela boçalidade e alarvidade com que são concebidas e praticadas as praxes, quer pelo desrespeito pelos cidadãos de Évora, pelos professores e por todos os alunos que não aceitam este tipo de praxes como forma de integração na academia. Chafurdar no esterco do gado não é, de todo, um acto de cultura como pretende o Sr. Presidente da Associação Académica. É uma imundice, potencialmente perigosa para a saúde. Tão pouco é um acto de cultura incentivar outrem a beber até à inanição ou apregoar obscenidades pelas ruas. Acima do respeito pelas praxes, estará sempre o respeito pelo bom-nome da Universidade e pela dignidade dos alunos, dos professores e dos cidadãos de Évora. Ninguém põe em causa a tradição, mas questiona-se e condena-se a forma como ela é posta em prática. O que verdadeiramente está em causa é um legado académico, cultural e científico que nos cumpre honrar, respeitar, perpetuar e enriquecer. Estes são os deveres que incumbem a todos os que hoje podem frequentar uma universidade que se orgulha do seu papel humanizador e humanista, secular; esta é a obrigação que cada um tem para todos aqueles que fizeram com que hoje, este seja o vosso espaço de preparação para a cidadania e para a vida activa. Assiste-nos a todos o direito à indignação. Alguns estudantes indignaram-se por terem sido impostas limitações às praxes nos espaços da Universidade. Como ex-dirigente académico, como professor e como Reitor, indigno-me pela apatia cultural e política dos estudantes, pela indiferença que manifestam face às dificuldades que a sua Universidade enfrenta, as incertezas que afectam o futuro colectivo dos portugueses, as violações de direitos humanos que grassam pelo mundo. Este é o direito inalienável que me assiste de expressar a minha indignação. O Reitor Jorge Araújo Mais informações em: Carta Aberta aos Estudantes da UE

publicado por EOL às 07:00
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